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Archive for março, 2014

CARTÕES FINANCEIROS E LOGÍSTICA DE SERVIÇOS NO SETOR BANCÁRIO BRASILEIRO

Pedro Dizaró Júnior (pedro.dizaro@gmail.com)

Fatec Americana

Marcos de Carvalho Dias (marcos.dias@fatec.sp.gov.br)

Fatec Americana

Área Temática

Gestão Estratégica da Logística

Resumo

O mercado de cartões financeiros no Brasil vem crescendo e se fortalecendo cada vez mais em função da variedade de serviços agregados. A crescente utilização por parte da população brasileira deste tipo de serviço bancário, resultado do aumento da renda das famílias, tem provocado modificações na configuração na forma de organização da logística de serviços do setor bancário no país, principalmente nos segmentos ligados aos serviços de cartões financeiros. Por isso o objetivo deste artigo é discutir os impactos causados pelo aumento da utilização dos cartões financeiros para a logística de serviços no setor bancário brasileiro, a partir dos dados e informações obtidos nas instituições que representam o setor, precedidoda discussão teórica sobre o conceito de logística de serviços de forma geral. Este trabalho conceitua os serviços logísticos e suas dimensões e apresenta o sistema de cartõescomo parte integrante de uma série de serviços bancários e a forma com que estes serviços são integrados e substituídos em função dos avanços tecnológicos e das buscas pela otimização de processos.

Palavras-chaves:logística de serviços; cartões financeiros; setor bancário.

Abstract

The market forbankcardsin Brazilis growingand has become strongerdue to thevariety ofbundled services. The increasinguse by theBrazilian populationof this type ofbanking serviceisthe result of increasedhousehold income,has ledtochangesin the logistic configuration of Brazilian organizations from the banking sector, mainly in the sectorsrelated tofinancialservicesbank cards.Thereforethe aim of thispaper is to discussthe impacts caused bythe increased use ofbank cardsfor the logisticservices configuration oftheBrazilian banking sector, based ondataand information obtainedin the institutions thatrepresentthe sector, preceded of thetheoretical discussion ofthe concept oflogisticservicesin general.This paperconceptualizesthe logisticconfigurationsand its dimensionsand presents thecard systemas part ofaseries ofbanking servicesand theway theyare integrated andreplaceddueto technological advances andthe searchforprocess optimization.

Keywords:logisticsservices, financial cards, banking.

1. Introdução

De forma geral um serviço corresponde a um conjunto de atividades produtivas realizadas por uma empresa para responder às expectativas e necessidades de um cliente ou conjunto de clientes. Por isso, o serviço é definido como sendo um bem não material, e que durante o processo de produção os produtores não manipulam grandes volumes de produtos físicos.

Neste segmento produtivo, classificado como setor terciário da economia, um dos elementos principais da concorrência adotados pelas empresas prestadoras de serviços é

a diferenciação das atividades executadas e ampliação do escopo dos serviços prestados.

Dentre os diversos serviços prestados por diferentes empresas, o cartão financeiro é um serviço de intermediação financeira que possibilita a aquisição de bens e serviços em estabelecimentos comerciais credenciados, em que o valor de sua compra é pago através de uma fatura com data de vencimento pré-determinada pelo usuário na data da contratação, com a possibilidade de parcelamento das compras.

Tal tipo de serviço tem sido utilizado de forma crescente no Brasil, principalmente a partir de 2005.

A partir desse período foi observada a intensificação de um fenômeno chamado de “digitalização monetária”, impulsionada pelo aumento do uso dos meios de comunicação eletrônicos no país, pela adoção de mecanismos de segurança por parte das operadoras deste tipo de serviço, além do aumento da renda real das famílias, o que permitiu o acesso destas atal serviço.

Esse aumento na utilização dos serviços de cartões financeiros no Brasil resultou em impactos para as operadoras e bancos que oferecem tal tipo de serviço, como redução dos preços destes serviços, além de modificações nos procedimentos adotados internamente.

Aliás, um dos aspectos pouco discutidos nesse cenário é justamente os impactos internos provocados por esse aumento na utilização deste serviço, notadamente no caso dos processos operacionais adotados internamente pelas operadoras e bancos.

Com isso, o objetivo deste artigo é discutir as principais alterações ocorridas na gestão das operações de serviços de cartões financeiros no Brasil, no período de 2000 a2010, e suas consequências para os processos logísticos internos.

1.1. A logística de serviços

A logística de serviços corresponde a uma atividade produtiva especializada em gerenciar e executar todas as etapas do processo logístico, nos vários segmentos da cadeia de abastecimento de produtores, fornecedores e clientes, agregando valor aos produtos destes.

No atual cenário de concorrência de mercado, com o objetivo de aumentar o valor agregado aos serviços prestados, as empresas nacionais têm realizado melhorias nos seus processos logísticos e consequentemente na busca de redução de custos. Este quadro pode ser visto como uma oportunidade competitiva para as empreses que se destacam quando conseguem atender as necessidades do cliente final.

Visando o foco da qualidade do serviço prestado ao cliente, Silva (2008) desenvolveu um sistema estratégico denominado Customer Service Piramid (Pirâmide de Serviço ao Cliente). Este sistema consiste na divisão das capacidades e programas do serviço ao cliente, em três segmentos.

A base da pirâmide é composta pela confiança, que pode ser percebida quando o serviço é executado de maneira satisfatória e dentro do prazo esperado, com isso a empresa conquista a confiança de seu cliente. No passado, durante as décadas de 70 e 80, com apenas este aspecto cumprido, o serviço já era classificado como excelente, mas nos dias atuais, necessita-se de outros itens para agregar a excelência em um serviço prestado, tais como a resiliência e a criatividade.

A resiliência é a capacidade de resistir ao fracasso dos serviços, ou seja, a habilidade que uma empresa tem de se reestruturar após enfrentar alguma situação desfavorável. Para que se alcance a resiliência, a empresa necessita de um adequado sistema de serviços, além de adequada comunicação entre os funcionários, no sentido de possuir uma interligação entre os mesmos a fim de propagar de maneira ágil e eficiente, quaisquer alterações que possam surgir.

E por último, no topo da pirâmide, encontra-se a criatividade, que consiste no desenvolvimento de programas de valor agregado e inovações para minimizar custos operacionais e conseqüentemente, a redução do valor do serviço, além de o desenvolvimento de serviços customizados para atender as necessidades individuais dos clientes.

Em relação aos atributos necessários para que a prestação de serviço logístico seja considerado suficiente, Figueiredo [6] aponta os seguintes: a disponibilidade, entregas no prazo, comunicação e serviços pós-venda.

A disponibilidade é entendida como a capacidade de atender, no tempo estabelecido, aos pedidos dos consumidores, ou seja, fazer com que o cliente tenha acesso ao serviço no momento em que desejar.

A entrega no prazo é compreendida quando o fornecimento dos produtos ocorre no prazo acordado ou com pequena variabilidade.

A comunicação incide no atendimento com rapidez e eficiência, além da transmissão de informações relevantes para os clientes, fazendo com que os consumidores se sintam seguros de que o serviço prestado tem a qualidade desejada.

Já o serviço de pós-venda, visa solucionar os problemas, questionamentos e dúvidas que o cliente possa ter com o produto.

Para que esses atributos sejam cumpridos é necessária uma adequada gestão da capacidade de serviços, definida como potencial produtivo de um processo, que está relacionada a certos recursos disponíveis, como os serviços móveis, o compartilhamento da capacidade, a tecnologia, os empregados multifuncionais, o aumento da participação dos clientes, a redistribuição do horário de atendimento, a oferta de serviços complementares e pequenos investimentos para redução de gargalos.

Os serviços móveis e a distribuição da capacidade em locais especiais consistem na possibilidade de distribuir os serviços com o objetivo de alcançar o local onde a demanda é mais intensa, com a flexibilização das instalações necessárias para a realização do serviço. É apropriado para demandas que variam geograficamente por um período de tempo. As feiras são exemplos em que prestadoras de serviços se deslocam ou disponibilizam ferramentas para melhor atender o público alvo.

O compartilhamento da capacidade, inclusive com empresas concorrentes, trata da utilização de equipamentos de uso comum, geralmente de valores elevados, por duas ou mais empresas, quando a capacidade daquele equipamento é maior do que a necessidade.

Fazendo assim, com que o investimento nessa modalidade seja reduzido para as empresas envolvidas. A unificação das máquinas de cartão de crédito e débito é um exemplo de compartilhamento de capacidade.

A tecnologia é utilizada para aumentar a capacidade do sistema e a eficiência das instalações, coma finalidade de tornar mais ágil a execução dos serviços.

Os empregados multifuncionais têm a condição de executar mais de uma função, aumentar o conhecimento e o envolvimento com o processo de execução dos serviços. Dependendo da variação da demanda é possível realocar pessoas para executar tarefas de diferentes naturezas. Os funcionários dos bancos, por exemplo, conseguem exercer boa parte das funções de um corretor de seguros, de um consultor financeiro, de uma central de cartões, de empréstimos entre outras, ou seja, conseguem executar vários serviços fazendo com que todo o processo de atendimento ao cliente seja facilitado.

Figueiredo e outros (2003) afirma também que o aumento da participação do cliente pode ser designado pela auto-suficiência dos clientes para realização das tarefas durante o processo de execução do serviço, resultando em um aumento da capacidade de oferta do sistema, já que o cliente tem autonomia para realizar alguns serviços de maneira independente. Essa participação deve fazer com que o cliente perceba algum benefício e seja bem informado dos procedimentos para execução. A utilização dos terminais de

auto-atendimento dos bancos e de aeroportos são exemplos em que o cliente torna-se auto-suficiente na execução de um serviço.

A flexibilização, extensão ou redistribuição de horário para execução de serviços permite que se atenda a demanda sem aumentar a capacidade física. O uso do auto-atendimento nos bancos através dos cartões em horários diferentes do expediente bancário é um exemplo de flexibilização para a execução de serviços.

A oferta de serviços complementares é utilizada para garantir a satisfação e fidelização de clientes, alguns serviços complementares são inseridos no serviço principal, podendo ser utilizados em alguns casos de sazonalidade.

Pequenos investimentos para eliminar gargalos podem ser feitos para que se tenha redução no tempo de execução do processo, afinal o tempo de execução dos processos é um fator determinante na escolha dos serviços.

Além de todos esses recursos da capacidade, a demanda pelos serviços também pode ser gerenciada, mesmo não sendo de controle direto do prestador de serviços. A propaganda, a necessidade momentânea dos consumidores, os preços praticados pela concorrência, o nível de atividade econômica são fatores que alteram comportamento da demanda, mas o prestador de serviço pode exercer influência mediante ao uso de certos mecanismos.

Esses mecanismos devem ser utilizados partindo do princípio de que o requisito mais relevante para se ter um possível controle sobre a demanda dos serviços logísticos é conhecer o cliente e compreender suas necessidades.

A redução de preço é um dos mecanismos que pode fazer com que a demanda seja deslocada para períodos de menor procura, mas se os clientes são poucos sensíveis a preço, essa medida pode ser inofensiva.

A identificação e a separação das diferentes demandas por serviços distintos é também uma possibilidade de entendimento do cliente. Numa mesma empresa prestadora de serviços podem existir padrões diferentes de demandas e isso significa que os recursos de capacidade alocados a um serviço podem não estar adequados a outro serviço, por isso, pode-se utilizar mecanismos diferentes para trabalhar essas demandas, mesmo quando esses serviços são oferecidos de maneira simultânea por terem alguma característica em comum.

1.2. Tipos de serviços

Para que as empresas consigam ter um equilíbrio entre os custos dos serviços ofertados e a satisfação do cliente, elas precisam diferenciar seus serviços logísticos, apresenta a idéia de que as empresas não devem apresentar um serviço padronizado de logística quando atingem um mercado em que existem características diversificadas de clientes (KOVACS e outros, 2007).

O autor apresenta três tipos de serviços de logística: estandardizados, customizados e diferenciados.

Os estandardizados são aqueles serviços para todos os clientes, que podem ser aplicados em empresas, nas quais os clientes têm as mesmas características.

O serviço customizado é aquele oferecido para cada cliente, de acordo com a sua necessidade específica, visando atingir a máxima satisfação do mesmo.

O terceiro tipo é o serviço diferenciado, que é desenvolvido para grupos com necessidades próximas, que acaba por gerar um melhor equilíbrio entre as necessidades dos clientes e os custos provenientes desta diferenciação.

No mercado atual, as empresas têm substituído a idéia da produção em massa com a finalidade de fazer com que os consumidores encontrem exatamente o que eles querem, colocando em prática a busca do desenvolvimento de metas com o objetivo da entrega de produtos e serviços com variedade e personalização.

Estes serviços são considerados como :

[…] Em vez de uma linha de montagem fornecedora de serviços padronizados, o banco pode ser visualizado como um estabelecimento de trabalho de capacidades flexíveis de produção. No coração do banco poderia estar um banco de dados do cliente e um banco de dados dos lucros e serviços. O banco seria capaz de identificar todos os serviços utilizados pelo cliente, o lucro (ou perda) nesses serviços e a potencialidade dos serviços rentáveis que possam ser proporcionados àqueles clientes (KOVACS e outros, 2007, p. 08).

O setor bancário é caracterizado por crescentes inovações e mercados fragmentados. Com o enorme número de transações que os clientes fazem, as empresas ligadas a esse setor conseguem utilizar as informações extraídas do processamento dessas atividades para oferecer serviços sob medida para seus consumidores, afastando-se assim de certas padronizações (PINE II, 1994).

1.3. Cartões financeiros no Brasil: características e evolução recente

O cartão financeiro é um meio de pagamento eletrônico que permite ao portador a aquisição de bens e serviços à vista ou a prazo, e liquidação de dívidas em estabelecimentos comerciais credenciados, sendo os dois tipos principais os cartões de crédito e débito.

O cartão de crédito permite ao portador a aquisição de um bem ou serviço para pagamento a prazo, de no mínimo trinta dias. Já o cartão de débito permite o pagamento da aquisição à vista, com desconto direto em conta corrente.

Além destes, existem os cartões múltiplos, que disponibilizam as duas funções (débito e crédito) no mesmo plástico, fazendo com que o consumidor tenha acesso tanto aos serviços disponibilizados pelos bancos, quanto aos serviços oferecidos pelos estabelecimentos credenciados. Esse tipo de cartão proporciona uma redução de custos de emissão dos cartões de crédito e de cartões de movimentação bancária, por reunir em um único cartão, as características dos dois cartões, conforme descrito acima.

Existem também os cartões de redes e lojas, que é emitido pelos estabelecimentos credenciados e possuem funções equivalentes ao cartão de crédito, mas tem seu uso restrito à rede de lojas emissoras do cartão.

O cartão pré-pago é também uma modalidade que tem se intensificado no Brasil. Esse tipo de cartão é utilizado para aquisição de bens ou serviços específicos, em que o usuário faz uma recarga antecipada, ou seja, define o valor que irá disponibilizar para usufruir desse serviço (MANUAL, 2005).

No Brasil o grande crescimento do uso de cartões foi impulsionado pelo Plano Real em 1994 e no ano seguinte percebeu-se um aumento significativo da emissão de cartões de débito e de crédito, e que vem crescendo até hoje (ALONÇO, 2008).

Diante desse histórico, verifica-se que para antecipar as decisões de consumo, o consumidor tem utilizado, cada vez mais, o cartão como meio de pagamento e isso ressalta que existe um crescimento da população bancarizada ao longo desses anos.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito e Serviços – ABECS, existe um constante crescimento tanto da emissão de cartões de débito e crédito, quanto de cartões das redes e lojas e que em 2010 houve um aumento de pouco mais de 4.77 vezes em relação ao ano de 2000, foi de 118.249 milhões para 628.015 milhões (ABECS, 2011).

2. Relato circunstanciado

2.1. Metodologia

Para a viabilização desta discussão, utilizou-se como metodologia a pesquisa exploratóriabaseada na análise e discussão de dados e informações sobre o segmento de serviços de cartões financeiros, disponíveis em páginas eletrônicas de órgãos e instituições que representam o setor bancário no Brasil, tendo como principal foco dessa análise o aumento do uso desse tipo de serviços e as mudanças nas operações logísticas nas empresas do setor bancário.

2.1. Os impactos para as operações logísticas

Esse crescimento na utilização dos cartões financeiros no país tem provocado alterações na forma de configuração do setor bancário, e especificamente na logística dos serviços prestados aos correntistas dos bancos que operam com operadoras destes cartões. Estas alterações são demonstradas a seguir.

2.1.1. Compartilhamento da capacidade

Aliado ao conceito de gestão da capacidade de serviços logísticos, o compartilhamento dessa capacidade pôde ser visto recentemente no segmento de cartões. Em 2010, surgiram os credenciadores multibandeiras, fazendo com que estabelecimentos comerciais tivessem acesso a diferentes tipos de pagamentos por meio de apenas um único credenciador e prestador de serviço de rede, ou seja, eles passam a operar com mais de uma bandeira.

Isso significa que existe o compartilhamento de maquinas de cartões, gerando assim uma redução de custos aos estabelecimentos comerciais, pois passam a pagar pelo aluguel de uma única máquina, podendo diminuir, na outra ponta do sistema, os custos repassados ao consumidor.

Essas novas regras trarão um aumento significativo no número de pessoas que utilizam os cartões e consequentemente aumentará também o número de empresas e segmentos que aceitarão essa forma de pagamento. Essa situação acarretará na diminuição das taxas cobradas dos comerciantes, que estão associadas ao número de transações realizadas (ABECS, 2011).

2.1.2. Serviços móveis e distribuição da capacidade

Para que a logística de distribuição da capacidade seja feita de maneira eficiente, as empresas do setor de cartões buscam a distribuição do serviço com o objetivo de alcançar o local onde a demanda é mais intensa. A ferramenta utilizada para que esse objetivo seja alcançado é a flexibilização das instalações dos terminais físicos onde são realizados, pelos portadores, as transações de compras nas redes e lojas credenciadas.

Existem três tipos de terminais físicos, chamadas também de “máquinas de cartão de crédito e débito”, para realização das transações, o POS, POO e TEF.

O POS (point of sale) é uma máquina com fio, chamada também de terminal convencional, que necessita de uma linha telefônica para que seja utilizada, deixando assim, sua capacidade de utilização limitada. É considerada de fácil utilização, pois possui as instruções no visor.

No POO (POS Wireless Outdoor) a tecnologia utilizada é a mesma dos celulares, ou seja, não possui fios, fazendo com que assim, sua capacidade de utilização seja ampliada. Esse tipo de máquina é muito utilizado nas feiras, nos restaurantes e pelos taxistas, para que o serviço chegue ao cliente e não o cliente até o serviço.

Já na TEF (Transferência Eletrônica de Fundos) é necessário que exista uma integração do sistema da credenciadora com o sistema de automação comercial do estabelecimento credenciado. Esse tipo de terminal é utilizado em estabelecimentos de grande porte, como redes de supermercados (ALONÇO, 2008).

2.1.3. Participação do cliente no processo logístico

O aumento da participação do cliente é também um dos atributos da gestão da capacidade do serviço logístico. No setor bancário, o terminal de auto-atendimento é uma das principais ferramentas disponibilizadas para ofertar os serviços aos clientes, fazendo com que eles sejam auto-suficientes apenas com o cartão e senha, que são considerados as chaves de acesso.

Na publicação disponibilizada pela Federação Brasileira dos Bancos (FEBRABAN), pode-se perceber que a tecnologia inserida no processo de disponibilização de serviços está atrelada ao aumento da participação do cliente no setor bancário. As despesas em Tecnologia da Informação (TI) no ano de 2009 superaram os R$ 19,4 bilhões, sendo que o volume de investimentos decresceu 24%, mas nas despesas correntes na área de TI houve um crescimento de 22%, que foi destinado à aquisição de equipamentos modernos e desenvolvimento de novas soluções para disponibilização de serviços ao cliente (FEBRABAN, 2011).

Uma evolução qualitativa de equipamentos foi observada nos últimos dois anos (2010 e 2011), em que foram substituídos terminais destinados apenas para consultas e depósitos, por terminais completos, com inúmeras transações disponíveis e adaptadas para pessoas com deficiência, sendo que um terminal completo pode substituir até três terminais com menor funcionalidade.

O crescimento quantitativo também foi visto ao longo desses anos e faz com que o canal de auto-atendimento represente um terço de todas as transações bancárias. Os dados mostram um aumento de 57% no total de caixas eletrônicos instalados no país, saindo 108.401 em 2000 para 170.245 em 2008, refletindo assim o crescente aumento da utilização dos cartões para acesso ao serviço bancário (FEBRABAN, 2011).

3. Considerações finais

O estudo realizado proporcionou uma visualização da logística presente no setor de serviços, e que frequentemente é mencionada como ligada ao setor de bens materiais.

A união desses dois setores produtivos (bens e serviços) é percebida logo na definição do conceito de serviços, em que a inseparabilidade é um item que mostra que, além da produção e consumo simultâneos, o serviço é também uma das pontas no processo de disponibilização de produtos aos consumidores.

Por isso, o fornecimento de serviços aos clientes requer planejamento de processos para avaliar sua viabilidade, inspeção de qualidade para sua avaliação, além da busca pelo público alvo e principalmente, a verificação de aceitação no mercado.

Todos esses itens também são necessários na fabricação e disponibilização de produtos, ou seja, são itens que comprovam a logística existente nos dois processos.

Assim sendo, os cartões financeiros representam um tipo de serviço disponibilizado aos clientes bancários ou consumidores de forma geral, a partir do fornecimento por uma operadora, cujo objetivo é intermediar os processos de compra e venda de mercadorias.

Tais cartões surgiram da idéia de ofertar um novo meio de pagamento aos consumidores e hoje são apontados como serviços no processo de intermediação entre bancos e clientes, assim como, entre clientes e estabelecimentos.

O fluxo de valores, apresentado no trabalho, que é realizado ao utilizar o cartão como meio de pagamento, depende do fluxo de informações trocadas entre os participantes do processo de disponibilização do serviço.

Estes, por sua vez, dependem da gestão da capacidade, trabalhada de acordo com a tecnologia implantada, com a disponibilização de terminais, com a participação do cliente, com serviços complementares e demais atributos, fazendo com que seja estabelecido um processo logístico por trás de uma simples compra.

O aumento do uso dos cartões teve por conseqüência uma alteração nos meios utilizados para pagamentos e também ao acesso dos serviços bancários.

As vantagens na utilização também são notadas com a possibilidade de realização de saques em lojas de auto-atendimento, muitas vezes fora do horário de expediente bancário, do acesso a empréstimos pré-aprovados e da contração de produtos, que acabam por reduzir as filas das agências e o trabalho manual.

Essas vantagens são comprovadas quando pesquisas apontam o aumento das instalações de caixas eletrônicos e de estabelecimentos credenciados nos últimos anos, ou seja, a busca pelo aumento da capacidade de aceitação dos cartões.

Tal expansão está fazendo com que os consumidores conheçam e percebam a importância de outros serviços, como por exemplo, seguro de vida e previdência, e consigam em um futuro não tão distante, utilizar outros meios como o comércio eletrônico, que está em expansão e vem interligando-se ao universo dos cartões.

Portanto constatou-se que esse aumento na utilização dos cartões tem promovido modificações importantes na logística de serviços das operadoras e bancos, como inovações no gerenciamento das operações.

Combinado com a massificação do uso de celulares e da internet no país, tais inovações são no sentido de aumentar a segurança e rapidez das transações realizadas pelos consumidores. Um exemplo é o sistema e rastreamento das transações via internet, e de pagamento de faturas via celular.

Tal discussão sobre a logística de serviços existente nos processos de serviço de cartão financeiro permite perceber a possibilidade de expansão e de incorporação de novas etapas e novos processos na cadeia logística desse serviço, resultado principalmente das inovações advindas das tecnologias da informação e comunicação, nas quais são baseados esses processos.

O objetivo dessa transformação é o aperfeiçoamento do serviço prestado, obtendo uma maior segurança ao usuário, com tarifas que permitam a entrada de novos consumidores e maior rentabilidade aos fornecedores.

Referências Bibliográficas

ABECS -Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços. Resumo de indicadores anual –evolução.Disponível em:www.abecs.org.br. Acesso em 15/03/2011.

_______Manual do portador de cartão. (2005). Disponível em: www.abecs.org.br. Acesso em 03/03/2011.

ALONÇO,P. S. C. A dinâmica do sistema bancário e seus impactos nos circuitos da economia urbana.  Trabalho de conclusão de curso. Graduação, UNICAMP, Campinas, 2008.

FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE BANCOS (FEBRABAN). O setor bancário em números. Disponível em: www.febraban.org.br. Publicado em: junho 2010. Acesso em 02/05/2011.

FIGUEIREDO,K e outros. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos: Planejamento do fluxo de produtos e dos recursos. São Paulo: Editora Atlas, 2003.

KOVACS, E. P. e outros. A importância dos serviços logísticos: uma análise comparativa. X SIMPOI, Simpósio de Administração da Produção, Logística e Operações Internacionais, 2007.

PINE II, B. J. A nova Fronteira da Competição dos Negócios. São Paulo: Editora Makron Books do Brasil, 1994.

SILVA, L. S. Nível de serviço logístico: estudo de caso em uma empresa de bebidas da Paraíba. XXVIII ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO. Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 13 a 16 de outubro de 2008.

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